terça-feira, 15 de agosto de 2017


Esperando o seu despertar

Despertei de ser ontem, já num hoje que ainda será...
De igual tenho eu, meu jeito também ja não é o mesmo... um pouquinho, mudei.
Despertei melhor hoje porque ontem assim o quis, porque ontem eu fui feliz...
Ao final do dia tive sua presença, sua alegria.
Me veio tao linda, tao leve e descontraída...
cheia de historias  pra contar...
e me conta de um jeito divertido de que tanto me encanta...
Despertei de ser ontem esperando seu despertar...
madrugada alta, poucos vultos na rua a caminhar
e eu aqui, escrevendo pra tentar te contar o que meu coração pede pra falar.
São quase cinco da manha, não pretendo voltar ao sonho...
Quero ter o prazer do teu despertar...ainda dormes distante, em terras alheias
onde não posso te tocar,
então tento, aqui no meu canto solitário te mostrar quando despertes,
o que me vai pela alma, entre o que eu era ontem
e o seu despertar.
                     
 Miro Martins

sábado, 12 de agosto de 2017

Molhar seus cabelos

É quando inventamos as maiores loucuras, numa manhã qualquer 
quando essas, tornam-se urgentes e de repente, realizamos.
É quando fechar a porta, deixar-se envolver
e de repente ouvir o pedido para tranca-la 
fazendo tudo ser recebido de forma tão clara … 

É quando percebo que posso tirar-lhe as roupas sem pudor 
sem pensar duas vezes 
e  admirar seu corpo delirando em sensações
e o prazer com isso ser o  nosso presente matinal…

É quando vejo que planos loucos que declaram sonhos 
se realizam em passagens, minutos  e minúcias…
Viram sonhos que passamos a sonhar juntos…
e se transformarão  em fotos, em beleza 
em imagens que ficarão pra sempre…

É quando seguramos todas as barras e percebo que juntos resolvemos 
apesar dos sustos, dos contras , das dores de cabeça 
que parece que vão nos explodir por dentro…
e nos tornamos mais fortes com tudo isso 
e o amor criado se reafirma a cada dia…

É quando, em varios momentos tudo parece perdido 
e temos a capacidade da volta segura
das caricias de novo, do sexo bonito
do sexo sem pudores e sempre novo, sempre melhor 
a cada momento que dissolve o tempo sob  nossos corpos 
horizontalidade perigosa e explosiva 
incontida em cada centímetro de pele …

É quando a flor encontra a pele para ser 
inesperadamente, fonte de prazer
no apanhar da arvore do caminho a surpresa.
Assim o ano correu
ficamos melhores e ainda acredito na possibilidade 
de um sonho tranquilo
de um andar de mãos dadas, plenos
companheiros, no super mercado
Até que chegue o dia que possas molhar seus cabelos sem preocupação ...
no meio de uma tarde qualquer ...
e que em uma dança suave ...nossos corpos se esqueçam do dia !

Miro Martins 

AGO 2017

domingo, 14 de agosto de 2016

Sombra Livre.

sou uma sombra que pedala livre por ai
que conhece os capins e os lagos
mais de perto que meu dono
rodo livre, feliz e leve
sem interferir na paisagem...
um unico instante
Uma sombra livre
apoiada no nada... Errante !

terça-feira, 24 de maio de 2016

PUDE SENTIR

Você passou a tarde de domingo
olhos nos olhos comigo
Tua claridade invadindo meu olhar
o encantamento a crescer
e me ocupar a alma...

Sabedor da impossibilidade
a cada olhar
meu coração e a razão
entravam em luta feroz ...
e eu sem entender
esse encantamento tão veloz
essa afinidade
vinda de tempos imemoriais.

Pude ver nos seus olhos
no aperto das mãos, que éramos iguais.
Pude sentir a proximidade
até, que veio o abraço.
Tremi...

Agora,
não sei mais o que faço.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

VOLTAR PARA CASA



Não tenho mais um lar

A muitos, muitos anos não tenho um.

Sinto-me, no espaço que habito, como se fora um hóspede

Que não faz a menor diferença estar ali...

Volto , após um dia de trabalho

Para o lugar onde tenho algumas roupas limpas

Uma cama e um chuveiro,

o computador onde trabalho um pouco mais

e onde me sinto querido e importante

Para alguns amigos virtuais.

Que sensação deliciosa era saber

que me esperavam ao pé da escada

Contavam os minutos para minha chegada

”O papai vai chegar”...

Hoje, não me esperam e, se chego ou não

As caras são as mesmas e nada é importante

A não ser o fato de eu ter trazido o pão.

Essa sensação de desamor pesa-me nos ombros

como um fardo que carrego e a cada passo me parece mais pesado

Estou ali, porque ali há um teto

Pago por ele e não posso pagar outro, ainda não.

Ali não é mais meu lar

Minha filha cresceu, mora em outra cidade

E volta como quem vem para uma pensão.

A mulher que tive

Só me tem indiferença e rejeição

Estou ali como um abat jour no canto da sala

Como se fora mera decoração....

Um silêncio escorre triste pelas paredes

E por entre nossos olhares que não se procuram

nem vão se encontrar

Há uma espécie de bolor sentimental crescendo por todos os lados

Dessa casa que já não é mais o meu lar.

MMartins

Janeiro de 2010